Semana de 14 a 20 de abril de 2014

Convocada pela sincronicidade,  fenômeno que a vida envia sempre que nos inquietamos,  acabo de ver/ouvir uma conferencia  imperdível sobre o Fim do Mundo.  Aos que desejem conferir a maravilha,  o link é http://vimeo.com/81488754.  Trata-se da explanação do prof. Eduardo Viveiros de Castro,  antropólogo,  sobre as lendas e mitos dos povos guaranis que habitavam nosso país quando os brancos aqui chegaram.  Defende o autor,  que o início do nosso mundo moderno,  civilizado e capitalista coincidiu com o fim do mundo dos ameríndios,  que nos séculos XVI e XVII foram quase dizimados pelos eurobrancos:  sua quase-destruição e a redução de suas populações a algo ao redor de 5%, no entanto,  não os extinguiu e,  talvez possamos utilizar sua experiência  para refazer/recuperar/reconstruir o nosso mundo,  que caminha rápida e eminentemente para o Fim do Mundo.  Segundo Viveiros,  caminhamos para uma guerra entre mundos,  o dos humanos e o dos terranos,  que ocupam o planeta Terra sob valores,  crenças e formas de viver bem diversos.   Os humanos somos nós,  os industrializados,  racionalmente científicos,  ligados pela rede,  fósseis-combustibilizados,  transgênicos,  farmacologicamente estáveis e socialmente civilizados;  os terranos são representados pelas minorias ( ao redor de 370 milhões de pessoas entre índios, negros e outros), pelas espécies em extinção, pela natureza que resiste, ou o povo de Gaia, aqueles que estão com ela e não contra ela, que se colocam na defesa de todos e não só de alguns.  Porque o problema é de todos,  apesar de só ser criado pelos primeiros,  coloca Viveiros.  Após profundas considerações e citações de outros filósofos e antropólogos do nosso tempo,  Viveiros termina a conferencia  citando os maias,  duas vezes dizimados,  a primeira entre os séculos VII e X,  por uma catástrofe climática que ainda não se sabe exatamente como ocorreu,  e a segunda,  quando foram invadidos pelos eurobrancos,  no século XVI.  Viveiros sugere que uma oportunidade inesperada se abre tanto para os guaranis como para os maias,  especialistas em fim de mundo,  de serem requisitados por nós,  “os humanos”,  para que nos ensinem como resistir e sobreviver à imensa catástrofe,  não só climático-geológica mas também sócio-política,  em curso.  Parece que para nós humanos,  a oportunidade é ainda mais pertinente.

Os que me acompanham há mais tempo,  sabem do meu interesse sobre o tema do Fim do Mundo,  que recorre há anos em minhas análises,  justamente pela obvia pertinência que sempre enxerguei entre o tema e nossa vivência cotidiana,  tão cruel na urbanidade contemporânea.  Sabem ainda da minha militância em construir pontes entre tais vivências e a Astrologia,  o maior e mais eficaz conjunto simbólico de que dispomos para compreender,  através de seu estudo e utilização,  nosso lugar nesse mundo e nesse momento histórico.  Só os símbolos têm a faculdade de mediar elementos separados,  reunindo céu e terra,  natureza e cultura,  real e imaginário,  corpo e alma,  mente e espírito.  E agem como integradores,  garantindo-nos lugar ao sol e pertinência no vasto entorno que nos rodeia e amedronta ( Ciça Bueno, Quiron e o papel do curador na contemporaneidade).

Planeta Urano, descoberto em 1781

Poderíamos recuar aos idos do século XVIII,  início da modernidade e à descoberta do primeiro planeta transpessoal,  Urano,  o rebelde criativo,  em 1781,  fenômeno sincronístico com as Revoluções Americana e Francesa,  início da era e do sujeito modernos.  A partir daí,  o homem passou a suportar a convivência com a imprevisibilidade do inconsciente coletivo e da própria vida.  Sugiro aos interessados,  que leiam o post anterior a esse no meu blog (www.cicabueno.com.br/blog),  para conhecer melhor esse inusitado planeta/símbolo.

No século seguinte,  nos idos de 1846,  surge Netuno,  o sublime sonhador,  sincrônico com o lançamento do Manifesto Comunista de Karl Marx (1848) e do socialismo,  que inventou o mundo que antagoniza o do capitalismo dos “humanos”,  até nossos dias.  Quem quiser conhecer melhor esse belíssimo deus,  sugiro ler o post de outubro de 2012 do mesmo blog,  sobre sua entrada no signo de Peixes naquele ano.  E,  em 1930,  surge Plutão,  o transformador implacável,  sincrônico ao surgimento da bomba atômica,  que vem talhando o mundo atual desde então e até agora.  Não perca leitura sobre ele e outros temas pertinentes ao assunto Fim do Mundo,  nos posts do blog que estão sob o botão 2012.  Aos que queiram,  ali encontrarão eco às análises mencionadas acima.

Pois bem,  todos sabem que Urano e Plutão se confrontam no céu desde 2010 e que,  por algumas vezes já se colocaram em posição

Planeta Netuno, descoberto em 1846

de tensão acirrada.  Nesta próxima semana,  novamente estarão em conflito exato,  pela 4ª ou 5ª vez desde o início do processo em 2008,  que estará ampliado por Júpiter,  o expansor e complexado por Marte,  o bruto,  agressivo,  provocador e titânico planeta das ações,  que ainda por cima retrograda, o que acentua os desequilíbrios.  Mercúrio também estará incluído,  já que acompanha Urano,  confronta Marte e pode promover maior confronto,  maiores conflitos,  más palavras,  bate-bocas,  rompimentos,  acidentes de trânsito,  gargalos mentais,  desafios. O grande quadrado se formará no céu desta semana é  oportunidade única de realizar grandes mudanças,  transformar e corrigir rotas de forma decisiva,  de modo a matar o velho para inaugurar o novo.  Pra quem?  Para todos de forma geral e em especial para os nativos de Áries, Libra, Câncer e Capricórnio do segundo decanato.   É  bom lembrar que quando o movimento é consciente,  dói menos e pode trazer prazer e benefícios.  Quando é mais inconsciente ou somos mais resistentes a realizá-lo,  dói pra chuchu e causa mais estragos.  É impossível passar impune aos atravessamentos dos planetas transpessoais.

O mesmo ocorre para aqueles que têm Lua,  Ascendente ou planetas pessoais naquelas posições e mesmo para países,  nações,  empresas,  instituições que tenham posições significativas de seus mapas astrais ali,  naquelas áreas do zodíaco.  O Brasil é um deles.  Oba!  Temos a oportunidade de mudar esse estado estagnado de coisas!  Vamos lá? Porque em algo estagnado, controlado e restrito, a vida não se circula e a morte não tarda.

Planeta Plutão, descoberto em 1930

Na semana passada  dissemos: “não fique bobeando nem perdendo tempo.  Arrisque e vá em frente.  O céu não está fácil mesmo,  principalmente para os amadores.  É preciso saber pra onde se está indo e aonde se quer chegar.  Obstáculos sempre fazem parte do caminho,  ainda mais em tempos tão desafiantes,  controvertidos e controversos como esses.  Por isso,  é em cada um de nós que se encontram as respostas e não no mundo”.

E agora eu lhe pergunto: você está do lado dos humanos ou dos terranos?

Saturno continua a retrogradar no 2º decanato de Escorpião,  propondo revisão profunda para os nativos de Touro,  Escorpião,  Leão e Aquário daquele decanato.  No mapa do Brasil,  Saturno atravessa a região relativa ao poder executivo e ao Estado:  temos uma oportunidade única de rever tudo profundamente,  afinal de contas não dá mais pra continuar assim,  nessa cegueira coletiva.  É hora de acordar:  faça a sua parte e exija mudanças.

E ainda teremos uma Lua Cheia com eclipse na 3ª-feira,  dia 15 de abril, às 4h43:  aceleração ou inversão de tendências à vista,  na região do terceiro decanato de Áries/Libra,  Câncer/Capricórnio.

Inclusive,  a Lua estará vermelha,  chamada também de lua de sangue,  fruto do fenômeno ser exato,  estar próximo a Marte,  o planeta vermelho e por estar acentuada pelas partículas vulcânicas de atmosfera terrestre.

É no mínimo impressionante!  E muito simbólico.

Estamos atravessando um dos muitos divisores de água pelos quais passaremos nessa fase do planeta.  É claro que o momento é agudo,  mas chegamos até aqui através de um processo,  que não terminará aqui tampouco.

De qualquer modo, não vai dar só pra contemplar:  ou participa do processo,  se posiciona e acha o seu lado,  ou vai ser atropelado pela realidade.  Simples assim!

Nesta semana não teremos previsões por signo para que não sejamos desviados da importância do coletivo em detrimento de nossas mazelas pessoais. E que tenham todos boa passagem!