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PITÁGORAS, o primeiro filósofo do Ocidente

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Pitágoras nasceu em 582 aC. na ilha grega de Samos, no mar Egeu. Há controvérsias sobre o ano de seu nascimento, que aparece também como 569 e 572 aC. Suas primeiras biografias foram escritas por Diógenes Laércio, Porfírio e Jâmblico, mas somente nos séculos III e IV dC, o que nos remonta uma vida mais lendária e desconhecida do que gostaríamos. De qualquer modo, sabe-se que ele viveu 99 anos e que deixou um enorme legado de sabedoria para a humanidade ocidental.

Pitágoras não deixou seus pensamentos registrados por escrito e tudo que sabemos sobre ele é através de seus discípulos ou ainda de discípulos destes. Entre eles encontram-se Filolau, Arquitas de Tarento, Alcmeon de Crotona, Epicarmo de Cós, Hipodamo de Mileto, Teofrasto, Aristóxeno de Tarento, Heráclides de Ponto, Eudemo, Cicearco de Missênia (biógrafo), Duris de Samos, Andrônio, Diodoro de Eretria, Moderato de Gades, Apolônio de Tiana, Nicômaco de Gerasa…, etc…

Na verdade, temos acesso à sua teoria através de três fontes: primeiramente os escritos de seus seguidores, das quais a Introdução à Aritmética, de Nicômaco de Gerasa, é a que apresenta o sistema pitagórico da forma mais aproximada ao que era ensinado pela Irmandade Pitagórica. Depois, sua teoria foi largamente encontrada na obra de Platão, grandemente influenciado pelos seguidores de Pitágoras, cujas influências atravessaram os séculos, chegando até nós. E, finalmente por Aristóteles que apesar de não concordar com suas idéias, explorou-as e criticou-as amplamente.

Não há duvidas de que o pitagorismo foi a mais falsificada das correntes filosóficas, segundo Mario Ferreira dos Santos, um de seus mais ardentes estudiosos: “Aristóteles foi sem dúvida, o maior responsável por sua falsificação”.

Pitágoras nasceu no século VI aC., famoso também pelo nascimento de Confúcio, Buda e Lao-Tsé. Na época de seu nascimento, Samos, como vimos anteriormente, era uma ilha bastante extensa, próxima à Ásia Menor, fato que será decisivo na formação e na educação de Pitágoras, pois foi no século VII que as condições da vida das cidades gregas da Ásia Menor mudaram muito com a adoção do regime monetário. Samos pertencia à região da Grécia cuja cultura hegemônica era a Jônia e Pitágoras descende, portanto, da Grécia mais jônio-micênica do que dórica; e quem vê nele um filósofo puro, com um sistema racional, se esquece de que sua filosofia é, antes de mais nada, mística, artística e intuitiva. Estas últimas características Pitágoras adquiriu do Orfismo, corrente mítico-religiosa que toma conta da Grécia entre os séculos IX e V a.C, numa tentativa de não sucumbir à titânica influência dórica.

Esta é também uma época muito importante, pois representa já desde o século IX e VIII com o registro escrito dos mitos por Homero (A Ilíada) e depois por Hesíodo (Teogonia e Trabalhos e Dias), a passagem lenta e paulatina do mito para o logos. Pitágoras nasce e vive neste interregno, mas ainda representa o final do mito, já que em sua confraria todo o conhecimento era transmitido através da palavra.

Pitágoras era filho de Mnesarco, um comerciante de origem fenícia; sua mãe era de origem sâmia. Por ser filho de um rico comerciante, Pitágoras não deve ter tido problemas para estudar e desde muito jovem já tinha contato com vários pensadores da época.

Foi discípulo de Ferecides de Sira, Tales de Mileto e Anaxágoras, apesar de algumas controvérsias históricas. Mas tudo indica que por seu privilégio geográfico, formou-se culturalmente entre o Oriente, o Egito, Creta e Babilônia, tendo sido instruído ainda por Zaratas ou Zaratustra na filosofia e religião dos sábios persas, o zoroastrismo.

Samos, na época de seu nascimento, como vimos anteriormente, era uma ilha bastante extensa, próxima à Ásia Menor, fato que será decisivo na formação e na educação de Pitágoras: foi no século VII que as condições da vida das cidades gregas da Ásia Menor mudam muito com a adoção do regime monetário.

Samos também ficava próxima a Delos, futuramente Delfos, ilha sagrada onde nasceram Ártemis e Apolo, deus-símbolo supremo do pensamento religioso pitagórico e guia pessoal do sábio Pitágoras. Apesar de rica e próspera, Samos era governada por Polícrates, um déspota que não aceitou as idéias de Pitágoras e estimulou seu exílio, enviando-o ao Egito com uma carta de recomendação.

De volta a Samos, após ter passado dez anos no Egito e outros tantos na Babilônia, Pitágoras tentou fundar aí uma escola, mas foi novamente forçado a abandonar sua cidade-pátria por invasão dos persas e, não por acaso, foi instalar-se em Crotona no sul da Itália. Ali fundou uma comunidade, irmandade ou ordem religiosa-moral, que se estendeu a outras cidades, influindo em seus costumes políticos e sociais.

O Pitagorismo:

A melhor reconstituição de suas idéias filosóficas foi feita por Porfírio:

  • A imortalidade da psique
  • A metempsicose ou transmigração das almas
  • O retorno periódico ou a idéia de que nada é novo
  • A crença de que todos os seres vivos são parentes entre si

E, a maior e mais importante: a crença de que os números eram a matriz de toda a existência, questão que examinaremos detalhadamente adiante.

Pitágoras foi discípulo de Ferecides, que teria sido contemporâneo dos Sete Sábios, entre eles Tales de Mileto. Pitágoras ainda era jovem quando conheceu este último, que já bastante idoso, dizia não mais ter condição de transmitir-lhe seus ensinamentos e que Pitágoras deveria ir ao Egito para se desenvolver. Mesmo assim, Tales deve-lhe ter transmitido muitos de seus conhecimentos, que se assemelhavam aos dos fenícios, já que deles descendia, assim como deve tê-lo apresentado a Anaximandro, seu discípulo na época.

De Ferecides, Pitágoras absorveu uma amálgama de lógica, teologia e filosofia e não é de admirar que tenha se tornado um músico de renome místico: Ferecides era adepto do Orfismo. Como Orfeu e Lino, outros dos Sete Sábios, o orfismo estava envolvido totalmente no mito e Pitágoras é um ser híbrido meio-mítico, meio-filosófico. Ferecides estudou com os fenícios e foi dele a influência que Pitágoras recebeu sobre a crença na imortalidade da alma, na teoria da reencarnação e estimulação da anamnese, processo que nos faz lembrar das vidas anteriores.

Outro aspecto interessante de sua influência é a ênfase dada às cavernas e aos buracos de Ctônia como um poderoso veículo místico através do qual as verdades enigmáticas poderiam ser transmitidas. Na verdade, esta também é uma tendência que deriva do orfismo, ou seja, descer às catacumbas, centros de energias cósmica e local, onde as psiques em processo de metempsicose, eram recebidas em seu retorno à Terra ou em sua partida para o retorno. E foram muitas as vezes que nosso mestre ficou recolhido em cavernas desenvolvendo seus processos de purificação, através da ingestão de alimentos puramente naturais, entre eles ervas, hortaliças e raízes, que lhe estimulavam a anamnese para explorar as lembranças de vidas anteriores.

Quanto às vidas anteriores, dizia ele que reencarnava de 216 em 216 anos e que se lembrava de mais de 7 ou 8 de suas vidas, tendo sido contemporâneo de muitos fatos históricos, inclusive tendo estado presente na guerra de Tróia como Euforbo.

De Anaximandro, Pitágoras assimilou alguns conhecimentos matemáticos e astrológicos. Mas o conceito de matemática foi criado por ele mesmo, que acreditava que todas as coisas derivavam dos números. Foi ele quem criou o conceito de mathema, como o tema mãe da phisys e toda a sua relação com as formas geométricas, atribuindo aos números valor ontológico.

Em sua estada no Egito, aprofundou o conhecimento sobre os mistérios da vida e da morte, a necessidade do silêncio como meio de meditar e atingir a religiosidade e o estímulo à purificação do corpo e da alma, que mais tarde, vai desenvolver com forte intensidade em sua escola de Crotona.

Do Orfismo e do povo grego, Pitágoras herdou o amor pelas artes e pela música e de todos estes conhecimentos misturados criou sua própria filosofia mítico-religiosa, que aplicará em seus discípulos. Aliás, o termo filosofia ou amor à sabedoria foi criado por ele em contraparte aos pensadores anteriores chamados de “homens sábios”.

O movimento pitagórico – não só intelectual, mas também religioso e político -, era organizado em forma de comunidade, com iniciações, linguagem simbólica, mistérios e segredos, onde predominavam o respeito sagrado à palavra e à obediência. Quando um discípulo lá adentrava, passava 5 anos apenas ouvindo seu mestre e no primeiro, ouvia-o sem vê-lo, para que pudesse desenvolver especialmente o dom da audição.

A missão da escola de Crotona era educar o corpo e a alma para ouvir a harmonia do cosmos, a música do universo e das esferas. Para tal, aprendiam métodos de purificação do corpo e da alma, aprendiam a conviver em comunidade, a ouvir aos oitros, a ter rigor na alimentação, a meditar e, aos mais iniciados, eram revelados conhecimentos matemáticos, geométricos, astronômicos e musicais reservados aos mais avançados. O pitagorismo foi duramente combatido pelos governos e organizações democráticos da época, que julgavam sua comunidade como muito severa para a então democracia ascendente. Os pitagóricos, que chegaram a ser 600 iniciados nas épocas áureas da comunidade, foram dissolvidos por um movimento popular e Pitágoras conseguiu fugir para Mesoponto, onde faleceu.

Plato and Aristotle, 1509-1511, detail from The School of Athens, fresco by Raphael (1483-1520), Stanza della Segnatura, Apostolic Palace, Vatican City.

Muitos anos mais tarde, Platão criou a Academia nos mesmos moldes da Escola de Pitágoras em Crotona.

Ciça Bueno, 2010

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